A "Sabe-Tudo"
Sabe-tudo era o apelido pelo qual todos os habitantes do bosque conheciam a tartaruga. Quem tivesse algum problema a resolver ou dúvida para esclarecer era só ir à casinha da Sabe-tudo, para ver seu caso resolvido.
Para dizer a verdade, a tartaruga passava as suas horas livres consultando livros e enciclopédias. Interessava-se por todos os temas existentes e por existir. Que curiosidade insaciável tinha ela!
- Desculpe-me, tartaruga, mas eu estava interessada em conhecer a ilha de Ceilão e... Diz timidamente a raposa.
- ... E não consegue encontrar a resposta, não é verdade? Bem, não se preocupe que já lhe explico, querida amiga, responde a tartaruga, com sua tradicional amabilidade. Vejamos. A ilha de Ceilão está situada no Oceano Índico, ao sul da Península Indostânica ou da atual Índia. Esclarecida a dúvida?
- Oh, obrigada, obrigada, Sabe... Quer dizer, amiga tartaruga! Responde embaraçada a raposa.
A Sabe-tudo sorri compreensiva. É claro que conhece a alcunha que os seus vizinhos lhe puseram. Isso não a incomoda, pois adivinha o sentimento de admiração que se esconde por trás dela.
Os anos passam e os conhecimentos da tartaruga tornam-se imensos, a tal ponto que ela começa a tornar-se exigente e crítica com os seus vizinhos. Com mania de perfeição, torna insuportável a vida dos outros. De uma amiga brilhante e admirada por todos converte-se em uma criatura amarga e insatisfeita que, além disso, recebe a hostilidade de quem a rodeia.
A modéstia é uma virtude muito necessária, sobretudo para aqueles superdotados, que se destacam pelo seu próprio brilho. Sem a modéstia, o conhecimento é inútil, pois não será repartido com os outros que o têm em menor quantidade.
(Autor desconhecido)
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A águia e a seta
Fábula de Esopo
Uma águia pousada num penhasco olhava com muita atenção para todos os lados procurando uma presa. Um caçador, escondido numa fenda da montanha e em busca de caça, viu a águia lá em cima e lançou uma seta. A haste da seta penetrou no peito da águia e atravessou seu coração. Pouco antes de morrer, a águia fixou os olhos na seta:
- Ah, sorte ingrata! – exclamou. – Morrer desse jeito... Mas o mais triste é ver que a seta que me mata tem penas de águia!
Moral: As desgraças para as quais nós mesmos contribuímos são duplamente amargas.
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A Borboleta Orgulhosa
A borboletinha era uma beleza, mas achava-se uma beldade. Devia, pelo menos, ser tratada como a rainha das borboletas, para que se sentisse satisfeita. Quanta vaidade, meu Deus!
Não tinha amigos, pois qualquer mariposa que se aproximasse dela era alvo de risinhos e de desprezo.
- Que está fazendo em minha presença, criatura? Não vê que sou mais bela e elegante do que você? costuma ela dizer, fazendo-se de muito importante.
Nem os seus familiares escapavam. Mantinha à distância os seus próprios pais e irmãos, como se ela não houvesse nascido naturalmente, mas tivesse sido enviada diretamente do céu. Tratava-os com enorme frieza, como quem faz um favor, quando não há outro remédio.
- Sim, você é formosa, borboletinha, mas não sabe usar essa qualidade como deveria. Isso vai destruí-la! previniu-a solenemente um sábio do bosque.
A borboletinha não deu muita importância às palavras do sábio. Mas uma leve inquietação aninhou-se em seu coração. Respeitava aquele sábio e temia que ele tivesse razão. Mas logo esqueceu esses pensamentos e continuou sua atitude habitual.
Um dia, a profecia do sábio cumpriu-se. Um rapazinho esperto surpreendeu-a sozinha voando pelo bosque. Achou-a magnífica e com sua rede apoderou-se dela. Como é triste ver a borboletinha vaidosa atravessada por um alfinete, fazendo parte da coleção do rapaz!
Cada um tem aquilo que merece. Não adianta pôr a culpa de nossos erros nos outros, no destino, em Deus ou na má sorte. Cada um é responsável pelo seu próprio sucesso ou fracasso.
(Autor desconhecido)
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A cigarra e as formigas
Num belo dia de inverno as formigas estavam tendo o maior trabalho para secar suas reservas de trigo. Depois de uma chuvarada, os grãos tinham ficado completamente molhados. De repente aparece uma cigarra:
- Por favor, formiguinhas, me dêem um pouco de trigo! Estou com uma fome danada, acho que vou morrer.
As formigas pararam de trabalhar, coisa que era contra os princípios delas, e perguntaram:
- Mas por quê? O que você fez durante o verão? Por acaso não se lembrou de guardar comida para o inverno?
- Para falar a verdade, não tive tempo – respondeu a cigarra. – Passei o verão cantando!
- Bom... Se você passou o verão cantando, que tal passar o inverno dançando? – disseram as formigas, e voltaram para o trabalho dando risada.
Moral: Os preguiçosos colhem o que merecem.
(Esopo)
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A Formiga e a Pomba
Uma formiga foi à margem do rio para beber água e, sendo arrastada pela forte correnteza, estava prestes a se afogar.
Uma pomba que estava numa árvore sobre a água, arrancou uma folha e a deixou cair na correnteza perto dela. A formiga subiu na folha e flutuou em segurança até a margem.
Pouco tempo depois, um caçador de pássaros veio por baixo da árvore e se preparava para colocar varas com visgo perto da pomba que repousava nos galhos alheia ao perigo.
A formiga, percebendo sua intenção, deu-lhe uma ferroada no pé. Ele repentinamente deixou cair sua armadilha e, isso deu chance para que a pomba voasse para longe a salvo.
Esopo
Quem é grato de coração sempre encontrará oportunidades para mostrar sua gratidão.
(Esopo)
Este blog tem por finalidade contribuir com leituras de textos reflexivos, de entretenimento, bem como informativos, principalmente na área relacionada à História e Cultura Afro-descendente.
Sejam bem vindos!!
Espero que eu possa contribuir com o que você está procurando! Aceito sugestões para postagens!! Abraços!!
4 de mai. de 2010
3 de mai. de 2010
Conto de assombração 6- A farra dos mortos
A FARRA DOS MORTOS
Maria Hilda de J. Alão.
Naquela noite “seu” Antônio não conseguia dormir. Ligou a televisão, não gostou do que estava passando, desligou. Pegou o rádio de pilhas, seu inseparável companheiro, nada de interessante. Resolveu ir à janela do quarto para apreciar o movimento da rua. Nada. A rua estava deserta. Era a primeira vez que ficava insone e aquilo o deixava nervoso. Nunca havia perdido o sono antes.
Um pouco mais adiante do edifício onde ele morava, ficava o cemitério, todo murado, sem iluminação e muito arborizado o que o deixava mais escuro ainda. Os olhos do velhinho desviaram-se para lá. Olhava e pensava: “um dia estarei ali, no silêncio eterno...” e um arrepio percorreu seu corpo.
Ficou muito tempo olhando o cemitério. Viu as horas e pensou: “quase duas horas e nada de sono...”.
Caminhou pelo quarto, foi até a cozinha, voltou novamente à janela. Apagou a luz do quarto. Ficou ali, parado, pensamento distante quando de repente viu algo no cemitério que chamou sua atenção. Era uma luz, fraca é bem verdade, mas era uma luz, bem ali no meio das sepulturas. A princípio ficou com medo. Fechou a cortina e ficou olhando pela fresta. Mais uma luz apareceu. Já eram duas.Ficaram juntas e tremulantes como se um leve vento tentasse apagá-las. Mais outra e “seu” Antônio pensou: “Meu Deus, os mortos estão saindo da tumba...” Mesmo assim continuou na janela. Tremia.
As luzes foram aumentando, ele já não conseguia contá-las, só sabia que junto com elas vultos vestidos de negro faziam um ritual esquisito. Levantavam os braços, circulavam para lá e para cá, outros estavam sentados nos túmulos e de vez em quando saltavam para o chão. Ficavam em círculo como se estivessem rezando e rapidamente levantavam-se com os braços para cima como numa espécie de saudação. Vez por outra apareciam pequenos pontos luminosos seguidos de uma neblina branca. O homem pensou: “será a dança dos espíritos malditos...!”
Lembrou de algumas histórias de terror que havia lido na juventude. O tempo corria. “Seu” Antônio olhou para o relógio, quatro e trinta da manhã e os mortos continuavam lá naquela espécie de orgia fantasmagórica.
Num átimo de segundo, as luzes sumiram e tudo voltou às escuras. O homem, ainda tremendo, ficou parado sem forças para se afastar da janela. Quando o fez foi para rezar e pedir a Deus perdão pelos seus pecados. Talvez aquela aparição fosse um aviso para ele, pensava: - “preciso orar mais...”.
Quando o dia amanheceu, como sempre fazia, foi buscar pão e leite, e na padaria relatou aos amigos o que havia presenciado durante a madrugada. Todos riram, menos uma velhinha que estava na fila para pagar o pão. Ela também havia visto aquilo da janela do seu quarto e não era a primeira vez. – “faz muito tempo que isso acontece, começa por volta das duas horas e vai até, mais ou menos, às quatro e meia da manhã” – disse ela. Nunca dissera nada para não tachada de louca, pois não dormia muito e ficava perambulando pela casa durante a madrugada.
No dia seguinte, mesmo morrendo de medo, lá estava “seu” Antônio de prontidão na janela do quarto. Deitara-se bem cedinho, vinte horas e trinta minutos. Pusera o relógio para despertar às duas só para ver se os fantasmas saiam novamente para um novo ritual. Não deu outra. Tudo aconteceu como no dia anterior.
De manhã encontrou-se com a velhinha na porta da padaria e comentaram o acontecido. E assim, por muitos dias, o homem tornou-se um madrugador só para ver a “farra dos mortos”.
A notícia espalhou-se pelo bairro. O responsável pelo cemitério foi comunicado.
“Seu” Antônio, já acostumado com aquele fato, lá estava à janela, na hora exata para ver a cena.
Os mortos foram chegando com suas luzes bruxuleantes, fizeram os mesmos movimentos; os que estavam em cima dos túmulos saltaram para chão, fizeram a rodinha, levantaram os braços, apareceram os pontinhos luminosos e a neblina, gesticularam. “Seu” Antônio já não sentia medo, habituara-se àquilo.
De repente, apareceram luzes diferentes, eram fortes. O homem arregalou os olhos e pensou: “tem fantasma novo na “farra”. Os novos “mortos” movimentavam-se com muita agilidade, como se estivessem apressados. Um dos antigos, com sua fraca luzinha, embrenhou-se pelo meio das tumbas sendo perseguido por um da luz forte, que o trouxe de volta ao grupo que formava uma fila indiana.
As tênues luzinhas já não estavam mais acesas. “Seu” Antônio, com o movimenta das luzes fortes, percebeu que as roupas dos novos “mortos” eram de cor diferente das dos antigos. Ficou pensando: -“Meu Deus, será que os mortos voltam?”.
Agora todos seguiam em procissão na direção da porta do cemitério e tudo voltou à escuridão. O homem ainda ficou alguns segundos à janela, depois voltou para a cama e ficou remoendo seus pensamentos a respeito do que vira.
Quando adentrou à padaria, pela manhã, para pegar seu pão, o dono, com um risinho maroto, exclamou:
- Sr. Antônio! Que bom que chegou. Sabe aqueles fantasmas que senhor vê, todas as madrugadas, lá no cemitério?
- O que tem? – perguntou o homem.
- Ora, não são mortos, nem fantasmas, nem nada do outro mundo. É o safado do Ditinho e a sua turma que pulam o muro do cemitério para armar a banca de jogos de azar e assim fugirem da polícia. Usam roupas escuras, as velas, que os parentes do mortos deixam nas campas e que não ardem totalmente, têm sacola de plástico de supermercado para recolher o lixo, tais como pontas de cigarros, papel, latas de cerveja e tudo mais. “Nada de pistas”, dizia Ditinho.
- Era um mini-cassino ao ar livre que rendia muito dinheiro ao malandro. Só que esta madrugada ele se deu mal. O administrador do cemitério ficou de campana e quando eles estavam no melhor do jogo, os “homens” chegaram. O contraventor bem que tentou fugir, mas foi agarrado pelo policial. Precisava ver a cara do salafrário e da sua turma quando foram pegos em flagrante. - Graças ao senhor, seu Antônio, a justiça foi feita...
E o português da padaria riu, até não poder mais, lembrando da primeira vez que seu Antônio lhe contou que vira os mortos realizando uma verdadeira “farra”, de madrugada, no cemitério da cidade.
Maria Hilda de J. Alão.
Naquela noite “seu” Antônio não conseguia dormir. Ligou a televisão, não gostou do que estava passando, desligou. Pegou o rádio de pilhas, seu inseparável companheiro, nada de interessante. Resolveu ir à janela do quarto para apreciar o movimento da rua. Nada. A rua estava deserta. Era a primeira vez que ficava insone e aquilo o deixava nervoso. Nunca havia perdido o sono antes.
Um pouco mais adiante do edifício onde ele morava, ficava o cemitério, todo murado, sem iluminação e muito arborizado o que o deixava mais escuro ainda. Os olhos do velhinho desviaram-se para lá. Olhava e pensava: “um dia estarei ali, no silêncio eterno...” e um arrepio percorreu seu corpo.
Ficou muito tempo olhando o cemitério. Viu as horas e pensou: “quase duas horas e nada de sono...”.
Caminhou pelo quarto, foi até a cozinha, voltou novamente à janela. Apagou a luz do quarto. Ficou ali, parado, pensamento distante quando de repente viu algo no cemitério que chamou sua atenção. Era uma luz, fraca é bem verdade, mas era uma luz, bem ali no meio das sepulturas. A princípio ficou com medo. Fechou a cortina e ficou olhando pela fresta. Mais uma luz apareceu. Já eram duas.Ficaram juntas e tremulantes como se um leve vento tentasse apagá-las. Mais outra e “seu” Antônio pensou: “Meu Deus, os mortos estão saindo da tumba...” Mesmo assim continuou na janela. Tremia.
As luzes foram aumentando, ele já não conseguia contá-las, só sabia que junto com elas vultos vestidos de negro faziam um ritual esquisito. Levantavam os braços, circulavam para lá e para cá, outros estavam sentados nos túmulos e de vez em quando saltavam para o chão. Ficavam em círculo como se estivessem rezando e rapidamente levantavam-se com os braços para cima como numa espécie de saudação. Vez por outra apareciam pequenos pontos luminosos seguidos de uma neblina branca. O homem pensou: “será a dança dos espíritos malditos...!”
Lembrou de algumas histórias de terror que havia lido na juventude. O tempo corria. “Seu” Antônio olhou para o relógio, quatro e trinta da manhã e os mortos continuavam lá naquela espécie de orgia fantasmagórica.
Num átimo de segundo, as luzes sumiram e tudo voltou às escuras. O homem, ainda tremendo, ficou parado sem forças para se afastar da janela. Quando o fez foi para rezar e pedir a Deus perdão pelos seus pecados. Talvez aquela aparição fosse um aviso para ele, pensava: - “preciso orar mais...”.
Quando o dia amanheceu, como sempre fazia, foi buscar pão e leite, e na padaria relatou aos amigos o que havia presenciado durante a madrugada. Todos riram, menos uma velhinha que estava na fila para pagar o pão. Ela também havia visto aquilo da janela do seu quarto e não era a primeira vez. – “faz muito tempo que isso acontece, começa por volta das duas horas e vai até, mais ou menos, às quatro e meia da manhã” – disse ela. Nunca dissera nada para não tachada de louca, pois não dormia muito e ficava perambulando pela casa durante a madrugada.
No dia seguinte, mesmo morrendo de medo, lá estava “seu” Antônio de prontidão na janela do quarto. Deitara-se bem cedinho, vinte horas e trinta minutos. Pusera o relógio para despertar às duas só para ver se os fantasmas saiam novamente para um novo ritual. Não deu outra. Tudo aconteceu como no dia anterior.
De manhã encontrou-se com a velhinha na porta da padaria e comentaram o acontecido. E assim, por muitos dias, o homem tornou-se um madrugador só para ver a “farra dos mortos”.
A notícia espalhou-se pelo bairro. O responsável pelo cemitério foi comunicado.
“Seu” Antônio, já acostumado com aquele fato, lá estava à janela, na hora exata para ver a cena.
Os mortos foram chegando com suas luzes bruxuleantes, fizeram os mesmos movimentos; os que estavam em cima dos túmulos saltaram para chão, fizeram a rodinha, levantaram os braços, apareceram os pontinhos luminosos e a neblina, gesticularam. “Seu” Antônio já não sentia medo, habituara-se àquilo.
De repente, apareceram luzes diferentes, eram fortes. O homem arregalou os olhos e pensou: “tem fantasma novo na “farra”. Os novos “mortos” movimentavam-se com muita agilidade, como se estivessem apressados. Um dos antigos, com sua fraca luzinha, embrenhou-se pelo meio das tumbas sendo perseguido por um da luz forte, que o trouxe de volta ao grupo que formava uma fila indiana.
As tênues luzinhas já não estavam mais acesas. “Seu” Antônio, com o movimenta das luzes fortes, percebeu que as roupas dos novos “mortos” eram de cor diferente das dos antigos. Ficou pensando: -“Meu Deus, será que os mortos voltam?”.
Agora todos seguiam em procissão na direção da porta do cemitério e tudo voltou à escuridão. O homem ainda ficou alguns segundos à janela, depois voltou para a cama e ficou remoendo seus pensamentos a respeito do que vira.
Quando adentrou à padaria, pela manhã, para pegar seu pão, o dono, com um risinho maroto, exclamou:
- Sr. Antônio! Que bom que chegou. Sabe aqueles fantasmas que senhor vê, todas as madrugadas, lá no cemitério?
- O que tem? – perguntou o homem.
- Ora, não são mortos, nem fantasmas, nem nada do outro mundo. É o safado do Ditinho e a sua turma que pulam o muro do cemitério para armar a banca de jogos de azar e assim fugirem da polícia. Usam roupas escuras, as velas, que os parentes do mortos deixam nas campas e que não ardem totalmente, têm sacola de plástico de supermercado para recolher o lixo, tais como pontas de cigarros, papel, latas de cerveja e tudo mais. “Nada de pistas”, dizia Ditinho.
- Era um mini-cassino ao ar livre que rendia muito dinheiro ao malandro. Só que esta madrugada ele se deu mal. O administrador do cemitério ficou de campana e quando eles estavam no melhor do jogo, os “homens” chegaram. O contraventor bem que tentou fugir, mas foi agarrado pelo policial. Precisava ver a cara do salafrário e da sua turma quando foram pegos em flagrante. - Graças ao senhor, seu Antônio, a justiça foi feita...
E o português da padaria riu, até não poder mais, lembrando da primeira vez que seu Antônio lhe contou que vira os mortos realizando uma verdadeira “farra”, de madrugada, no cemitério da cidade.
Conto de assombração 5- Uma noite no paraiso
Uma noite no paraiso
Sylvia Manzano
Certa vez, dois amigos inseparáveis fizeram o seguinte juramento: aquele que casasse primeiro chamaria o outro para padrinho, mesmo que esse outro estivesse no fim do mundo.
Pois bem: um dos amigos morre e o outro, que estava noivo, não sabendo o que fazer, vai pedir conselhos a seu confessor. O pároco assegura que a palavra deve ser mantida. Então o noivo vai até o túmulo do amigo convidá-lo para o casamento.
O morto aceita o convite de muito bom grado. No dia da cerimônia, não diz uma palavra sobre o que vira no outro mundo. No final do banquete ele fala:
- Amigo, como lhe fiz este favor, você agora deve me acompanhar um pouquinho até minha morada.
O recém-casado, não resistindo à curiosidade, pergunta como era a vida do outro lado.
O morto, fazendo um pouco de suspense, responde dessa forma:
- Se quiser saber, venha também ao paraíso.
O outro concorda. O túmulo se abre e o vivo segue o morto.
A primeira coisa que vê é um lindo palácio de cristal, onde os anjos tocavam para os beatos dançarem e São Pedro, muito feliz, dedilhava seu contrabaixo. Mais adiante, o amigo lhe apresenta nova maravilha: um jardim onde as árvores, em vez de folhas, tinham pássaros de todas as cores, que cantavam.
- Vamos em frente - diz o morto ao amigo, que fica cada vez mais deslumbrado. - Agora vou levá-lo para ver uma estrela.
O recém-casado percebe que não se cansaria nunca de admirar as estrelas, os rios, que em vez de água eram de vinho, e a terra, que era de queijo.
De repente o noivo cai em si, lembra-se da noiva que ficara a esperá-lo e pede:
- Compadre, preciso voltar para casa, minha esposa deve estar preocupada.
- Como preferir.
Assim dizendo, o morto o acompanha até o túmulo, sumindo logo a seguir.
Ao sair do túmulo, o vivo fica assombrado com o que vê ao seu redor: no lugar daquelas casinhas de pedra meio improvisadas há palácios, bondes, automóveis; as pessoas todas vestidas de modo diferente. Para se certificar, pergunta o nome da cidade a um velhinho que por ali passava.
- Sim, é esse o nome desta cidade.
No entanto, ao chegar à igreja, é atendido por um bispo muito importante que, consultando os arquivos existentes ali, descobre que trezentos anos atrás um noivo havia acompanhado o padrinho ao túmulo e não tinha voltado nunca mais.
Sylvia Manzano
Certa vez, dois amigos inseparáveis fizeram o seguinte juramento: aquele que casasse primeiro chamaria o outro para padrinho, mesmo que esse outro estivesse no fim do mundo.
Pois bem: um dos amigos morre e o outro, que estava noivo, não sabendo o que fazer, vai pedir conselhos a seu confessor. O pároco assegura que a palavra deve ser mantida. Então o noivo vai até o túmulo do amigo convidá-lo para o casamento.
O morto aceita o convite de muito bom grado. No dia da cerimônia, não diz uma palavra sobre o que vira no outro mundo. No final do banquete ele fala:
- Amigo, como lhe fiz este favor, você agora deve me acompanhar um pouquinho até minha morada.
O recém-casado, não resistindo à curiosidade, pergunta como era a vida do outro lado.
O morto, fazendo um pouco de suspense, responde dessa forma:
- Se quiser saber, venha também ao paraíso.
O outro concorda. O túmulo se abre e o vivo segue o morto.
A primeira coisa que vê é um lindo palácio de cristal, onde os anjos tocavam para os beatos dançarem e São Pedro, muito feliz, dedilhava seu contrabaixo. Mais adiante, o amigo lhe apresenta nova maravilha: um jardim onde as árvores, em vez de folhas, tinham pássaros de todas as cores, que cantavam.
- Vamos em frente - diz o morto ao amigo, que fica cada vez mais deslumbrado. - Agora vou levá-lo para ver uma estrela.
O recém-casado percebe que não se cansaria nunca de admirar as estrelas, os rios, que em vez de água eram de vinho, e a terra, que era de queijo.
De repente o noivo cai em si, lembra-se da noiva que ficara a esperá-lo e pede:
- Compadre, preciso voltar para casa, minha esposa deve estar preocupada.
- Como preferir.
Assim dizendo, o morto o acompanha até o túmulo, sumindo logo a seguir.
Ao sair do túmulo, o vivo fica assombrado com o que vê ao seu redor: no lugar daquelas casinhas de pedra meio improvisadas há palácios, bondes, automóveis; as pessoas todas vestidas de modo diferente. Para se certificar, pergunta o nome da cidade a um velhinho que por ali passava.
- Sim, é esse o nome desta cidade.
No entanto, ao chegar à igreja, é atendido por um bispo muito importante que, consultando os arquivos existentes ali, descobre que trezentos anos atrás um noivo havia acompanhado o padrinho ao túmulo e não tinha voltado nunca mais.
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